Falar sobre o acordo de paz que Colômbia tenta com as FARC é, no mínimo, complexo. Pós plebiscito conduzido no país e em que o povo declarou “NÃO” a esta possibilidade, a possibilidade de paz, sobram algumas questões. Qual o interesse em continuar um conflito que já dura 50 anos e que deixou um legado de mais de 220 mil mortos? Porque parece difícil aceitar a possibilidade de uma guerrilha que abandona as armas e assume papel político? É certo livrar os protagonistas de reconhecidas violências de punição em nome da paz? E as famílias que perderam a vida e a sanidade por causa do embate?

Todos, pontos bastante difíceis para se emitir opinião, posicionamento. Ainda assim, o Canal da Imprensa desta quinzena se prestou ao papel de tentar entender e posicionar-se frente à esta questão que, sequer diz respeito a nós, brasileiros. Ainda que não nos toque politicamente tal questão, nos toca no âmbito da humanidade. Somos humanos, somos gente, devemos ser solidários com este povo irmão. E mais, queremos entender, queremos enxergar como eles veem a questão a que estão submetidos há tanto tempo. Afinal, apenas a verdadeira compreensão entre pares é que permite uma solidarização pertinente.

Somos também resultado de uma ditatura que oprimiu e matou. Há, entre nós, famílias que perderam seus entes queridos sem jamais saber o que deles foi feito, que anseiam por respostas e punições aos responsáveis por tal violência. Disto isto, nos parece lógico entender a necessidade dos colombianos de negar um acordo de paz que propõe anistia aos atores da violência guerrilheira. Neste sentido, sim, é injusto conceder-lhes passagem livre na política. Quem prefere matar a dialogar merece representar?

Por outro lado, é tempo de cessar com esta ferida aberta no centro da nação. Porque prolongar o sofrimento, porque estender um conflito que até o momento nada trouxe de bom? Porque legar a esta nova geração um ódio e razões que eles sequer entendem ou que jamais deveriam assumir como seus? Depois de tanta violência, um passo de perdão em direção à paz precisa ser protagonizado. Se o povo não estiver disposto a este ato de boa fé, como presume terminar com isto que já dura meio século?

Perguntas para as quais não há respostas absolutas. Há respostas, de fato? Que esta nova edição de nossa revista eletrônica contribua para sua reflexão sobre o tema, caro leitor, e que ela seja capaz de produzir a gestação de novos espaços onde tema tão ambíguo possa ser debatido. Sem debate e reflexão não haverá, certamente, qualquer chance de evolução, de resolução.

Andréia Moura
Editora-chefe do Canal da Imprensa