A emissora usou seu amor pelo esporte de forma hábil e, ao mesmo tempo, imparcial

Victória Coelho

O ano de 2016 vai ficar marcado na história do país do futebol. A maior competição esportiva do planeta, as Olimpíadas, aconteceram no Brasil, mais precisamente na cidade do Rio de Janeiro. Desde que foi anunciado que o Brasil e a América do Sul seriam palco desse evento ímpar pela primeira vez, os veículos midiáticos voltaram sua atenção à Cidade Maravilhosa. A mídia internacional, não ficou para trás.

Cada veículo usou seus recursos como podia. Alguns com maestria, outros deixando a desejar. Em ambos os casos, a intenção era a mesma: oferecer ao receptor conteúdos, em sua maioria, da editoria de esportes. As retrancas eram universais. “Jogos Olímpicos”, “Rio-2016”, “Rio de Janeiro, Brasil”. Para alguns veículos, cobrir as Olimpíadas não foi uma tarefa atípica. Já que dedicam seu trabalho exclusivamente à transmissão e produção de programas esportivos.

A ESPN – Entertainment and Sports ProgrammingNetwork – (Rede de Programação de Esportes e Entretenimento) é uma Rede de TV por assinatura dos Estados Unidos e realiza esse trabalho 24 horas por dia. A emissora, possui também uma franquia local no Brasil e tem toda programação em português feita pela ESPN Brasil. A missão de cobrir os Jogos em tempo real, pode ter sido uma tarefa árdua e que exigiu empenho. ESPN buscou fazer jus ao seu slogan, “tudo pelo Esporte”.

Há quem diga que o jornalismo esportivo não pode ser chamado de Jornalismo, de fato. A emissora fechada parece desfazer tal afirmação ao ousar em transmitir um evento dessa dimensão, com excelência. As reportagens, em sua maioria são curtas e concisas, como também, relevantes e envolventes. A reportagem sobre as impressões que Ministro do esporte do Japão teve quanto a Rio 2016 proporciona ao leitor, de forma inconsciente, a oportunidade de se envolver na experiência que foi a conversa animadora sobre a próxima Olimpíada.

A emissora parece esconder o segredo de fazer jornalismo esportivo de qualidade. A palavra “experiência” poderia ser um chute certeiro para desvendar esse mistério. Afinal, essa é a sexta olimpíada seguida da emissora, desde os jogos de Atlanta, em 1996. A “Rio 2016” foi a maior cobertura dos últimos tempos na ESPN, ao todo foram 500 profissionais trabalhando na cobertura dos Jogos Olímpicos.

A vocação pelo esporte pode ser vista com equilíbrio por quem produziu mais de 700 horas de transmissão de eventos ao vivo durante o período dos Jogos Olímpicos. A Programação foi dividia em seus três canais (ESPN, ESPN Brasil e ESPN+) e naplataforma online, WhatchESPN. É bem claro notar que além de amantes pelo esporte, a equipe da ESPN não esqueceu sua profissão. Jornalistas que colocam acima de suas preferências a relevância da informação. O caos no metrô, a falta de comida e as filas quilométricas não deixaram de ser noticiadas, sem alardes ou sensacionalismo barato.

Histórias emocionantes de superação de quem estava nas Olimpíadas não passaram despercebidas pelas lentes da emissora. As equipes da ESPN souberam, como ninguém, unir seriedade e leveza em um mesmo conteúdo. A matéria sobre os 10 motivos para não esquecer a abertura da Rio 2016 deu passe livre para a continuação dos trabalhos produzidos sobre os jogos, algo experiencial e elevado. A interatividade foi excepcional. O casamento de textos e vídeos em uma só reportagem dava ao expectador oportunidade de explorar outros sentidos além da visão. A WhatchESPN oferecia a cobertura direto do Rio de Janeiro nos dispositivos eletrônicos.

Ousadia é essencial quando se fala de esporte. Artigos são sempre bem-vindos. “Com muito orgulho, com muito amor” relatou o legado dos jogos e ironizou o patriotismo falso dos “brasileirinhos” que vaiam seus adversários e pregam um discurso de ódio nas redes sociais. O artigo deixa claro características palpáveis da emissora, liberdade de opinião forte, independência. A ESPN usou seu amor por esporte de forma hábil e, ao mesmo tempo, imparcial. Indo para o pódio em mais uma Olimpíada a fim de receber ouro por fazer um jornalismo esportivo digno de admiração.