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Saúde para dar e vender

Daniel Liidtke

A "saúde pra dar e vender" da canção brasileira popular de ano novo ainda é uma realidade longínqua para os jornalistas. Sempre perseguindo a notícia - que nunca pára -, os profissionais da informação são atormentados implacavelmente pelo estresse. Acontece que não são apenas os "idosos de profissão" que apresentam problemas de saúde devido ao trabalho exaustivo. Até mesmo os "aspirantes à foca" já se afogam na correria das redações e estúdios das faculdades de Comunicação Social.

O corre-corre é visível nos corredores dos alunos em dias de fechamento e gravação. O acúmulo de atividades se estampa no rosto dos universitários. Procuram fontes, fazem entrevistas e pesquisas em internet, livros e periódicos, levantam dados, entre outros. Tudo em nome da informação e a conseqüente formação profissional.

Ana Paula Ramos, aluna de Jornalismo do Unasp, é uma típica estudante que vivencia antecipadamente o dia-a-dia do profissional. "Já no primeiro ano do curso eu sentia na pele a correria de uma jornalista", afirma. "Todos da turma tínhamos que entregar matérias diárias para o jornal-laboratório da faculdade. Notícias de dois dias atrás não eram mais publicadas", completa a universitária.

Hoje, Ana Paula é formanda, e diz que a rotina se torna cada vez mais intensa. A estudante comenta sobre suas atividades em uma das últimas semanas. Fala que na quinta à noite gravaria a ancoragem de um telejornal para TV fechada. As gravações, realizadas nos estúdios da faculdade, terminaram às três horas da madrugada. "A questão é que às 5h30 eu tinha que estar na rodoviária para tomar um ônibus para São Paulo, onde participaria de outras gravações", explica. 

Na capital, a aluna trabalha exaustivamente durante toda a sexta. No sábado à noite as atividades são retomadas. As gravações terminam por volta das 4h30. "Outro detalhe importante é que eu deveria estar de volta no Unasp às oito horas para outros compromissos. Praticamente não dormi naqueles dias. Na faculdade, logo ao chegar, tive reuniões de pauta e outras atividades voltadas para as gravações da quinta-feira seguinte", diz.

"No jornalismo um trabalho bem feito puxa outro". Entretanto, esta sobrecarga de atividades prejudica a saúde de muitos antes mesmo de entrar no mundo competitivo. Alunos que trabalham nos diversos jornais-laboratórios espalhados pelas universidades do Brasil, já vivem o estresse das redações de verdade. E isso não é positivo se não for controlado. Noites sem dormir, falta de exercício físico, má alimentação ou ausência dela, são exemplos comuns de maus hábitos de saúde que são desenvolvidos desde os tempos da faculdade.

A aluna Fabiana Amaral, também do Unasp, posicionou-se quanto ao horário máximo que ficaria trabalhando no jornal-laboratório do curso. Pensando em sua saúde, estipulou o limite dez horas da noite. Embora nem sempre pudesse cumprir sua decisão, devido a atividades inesperadas e acúmulo de tarefas, Fabiana mostra como a questão da saúde pode ser desenvolvida se for tomada como prioridade pelo aluno de Jornalismo. "Se a saúde não for priorizada ainda nos anos de formação acadêmica, será mais difícil no mercado de trabalho, onde as atividades são mais intensas", opina.

Percebe-se que o estresse já em tempos de faculdade é motivado muitas vezes pela falta de organização de tempo, problemas na escolha de prioridades, ou até mesmo desleixo. O envolvimento com atividades práticas é fundamental, mas não deve prejudicar a saúde. Afinal, há muitos anos pela frente. E eles exigem saúde pra dar e vender.

                                                           



criação: lisandro staut