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Época desmascarada

Jairo Souza

Durante a maioria do tempo os veículos de comunicação buscam a imagem imparcial. A todo custo procuram imprimir credibilidade em seus veículos, mascarando os subliminares interesses políticos e financeiros soberanos às redações. Em períodos eleitorais, todavia, tais "máscaras" costumam cair. A imagem de imparcialidade sublima-se à pressão do patronato. É comum observar o segmento político dos veículos na forma como abordam ou ignoram os fatos eleitorais.

Tal fato é evidente em Época, da Editora Globo. A linhagem direitista dos "Marinho" já é conhecida, contudo, nesta eleição, Época e Rede Globo ainda estão em fase de observação. Aparentemente o candidato original seria José Serra, PSDB, mas a falta de carisma e diferencial nas propostas evidenciaram que não se trata de um candidato de peso. Ascendente, Ciro Gomes, parecia que tomaria o posto do tucano. Contudo algumas posições adotadas quanto à política externa e financeira soaram mal, além dos escândalos com seus aliados, inibindo a "mãozinha" global. 

Lula, que conhece bem do que a Globo é capaz, mudou o discurso e tenta passar a imagem de estadista. Com um discurso equilibrado tenta evitar as polêmicas e acusações colhendo, com isso, significativos pontos nas pesquisas de intenção de voto. Além disso, segundo pesquisa do Ibope, o público feminino está cada vez simpatizante ao candidato. Época não omite o crescimento e não aparenta tanta aversão ao petista como em outras ocasiões. Ao contrário, na edição de 12 de agosto, expôs entrevista com Antônio Ermírio de Moraes, presidente do grupo Votorantin, na qual foram abordadas as semelhanças entre Ciro Gomes e o ex-presidente Fernando Collor. Na mesma edição, em outra entrevista Lula expôs as mudanças discursivas adotadas pelo candidato e o conseqüente sucesso nas pesquisas.

Todos os "dragões" da comunicação brasileira aguardaram o início dos programas eleitorais com ansiedade. Havia ainda a esperança de que o candidato governista, José Serra, voltasse ao cenário eleitoral. A expectativa quanto ao seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto era evidente, visto que possui cerca do dobro do tempo dos demais candidatos. Foi então que Época cometeu uma ilegalidade. Publicou os números de uma pesquisa de intenção de voto para presidente da República, atribuída ao instituto Ibope, que não fora registrada no Tribunal Superior Eleitoral, no qual o candidato do PSDB subira nas pesquisas, o contrário ao candidato do PPS.

No mesmo período, o Datafolha e Vox Populi, publicaram resultados de pesquisas que apontavam a subida de Lula, no caso do primeiro instituto, e de Lula e Ciro, no segundo. Apenas o Ibope favorecia Serra.

É bem verdade que pesquisas posteriores abalizaram o constatado pelo Ibope. O crescimento de Serra e a queda de Ciro foram evidenciados, contudo tal atitude retirou as máscaras de Época. O retorno de Serra reativou a "máquina" a seu favor. Ainda restam dúvidas?


                    



criação: lisandro staut