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Jornalcoolismo

Lísye Rizziolli

Ambição. Um jornalista sedento pelo sucesso. Ao mesmo tempo fracassado e derrotado por um vício, a bebida. Tudo isso é retratado no filme A Fogueira das Vaidades(1990), adaptado do livro do jornalista, romancista e crítico social americano Tom Wolfe. 

Wolfe fez questão de declarar, na época do lançamento do livro que "pessoas sugerem que A Fogueira das Vaidades é jornalismo. E é claro que é", afirmou. E como não fosse o suficiente, diz ainda que "numa época bizarra e selvagem como essa, é obrigatório trabalhar como um jornalista: sair à rua e ver o mundo maluco que criamos". Até aí o filme estava numa qualidade, se pode ser considerado assim, boa.

Coisas "bizarras" foram acontecendo no filme transformando o romance em comédia. O enredo da história é sobre um magnata de Wall Street que tinha uma vida perfeita até errar o caminho de Manhattan para o bairro do Bronx, um dos mais perigosos dos Estados Unidos. Lá um acidente e um jornalista o esperam para uma mudança radical em sua vida. Um assassinato e uma condenação injusta.

Um jornalista mal sucedido na carreira faz questão de pegar o caso para ver se sairia da miséria com uma grande reportagem. O problema está na maneira que ele conduzia suas matérias, sempre aliadas a uma vida muito inconseqüente.
 
O filme enfoca que o jornalista tem a propensão de ser um "exímio" alcoólatra. Mas não por força própria. Como no caso de milhares de pessoas em todo mundo. O que acontece, é que o álcool aparece como lenitivo para os problemas ou estresse. Se a pergunta "estresse pode provocar alcoolismo?" viesse à tona, poderia dizer que sim.

O diretor do filme procurou representar esta realidade ao público. O jornalista tinha uma vida muito maltratada, por ele mesmo, mas que interferiu fortemente em seu contexto profissional, psicológico e físico. Apesar da demonstração do cotidiano, o filme perdeu o valor sendo um pouco pedante ao sentido original do livro de Tom Wolfe. Talvez isso justifique a escolha do filme para cinco indicações ao Framboesa de Ouro, nas seguintes categorias: pior filme, pior diretor, pior atriz, pior atriz coadjuvante e pior roteiro.
 
O filme demonstra além do enredo principal, a história secundária dos jornalistas que fazem uso de drogas lícitas para diminuírem seus problemas pessoais. Mentira. Entretanto, isso acontece na maioria das redações.

O jornalista perdeu seu emprego o que resultou numa depressão tremenda. Mesmo recebendo um prêmio pela reportagem - que apareceu bêbado para receber - aumentaram sua estima. Isso é arte imitado a vida.



Ficha Técnica 

Título Original:
The Bonfire of the Vanities
Gênero:
Comédia
Tempo de Duração:
126 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1990
Estúdio: Warner Bros
Distribuição:
Warner Bros
Direção:
Brian De Palma
Roteiro:
Michael Cristofer, baseado em livro de Tom Wolfe
Produção:
Brian De Palma
Música:
Dave Grusin
Fotografia:
Vilmos Zsigmond
Desenho de Produção:
Richard Sylbert
Direção de Arte:
Gregory Bolton e Peter Landsdown Smith 
Figurino:
Ann Roth
Edição:
Bill Pankow e David Ray



Elenco

Tom Hanks (Sherman McCoy)
Bruce Willis (Peter Fallow)
Melanie Griffith (Maria Ruskin)
Kim Cattrall (Judy McCoy)
Saul Rubinek (Jed Kramer)
Morgan Freeman (Juiz Leonard White)
John Hancock (Reverendo Bacon)
Kevin Dunn (Tom Killian)
Clifton James (Albert Fox)
Louis Giambalvo (Ray Andruitti)
Barton Heyman (Detetive Martin)
Norman Parker (Detetive Goldberg)
Donald Moffat (Sr. McCoy)
Alan King (Arthur Riskin)
Beth Broderick (Caroline Heftshank)
Kirsten Dunst (Campbell McCoy)
F. Murray Abraham (D.A. Abe Weiss)
Rita Wilson

                    

criação: lisandro staut