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Ares de gigante  

Danúbia Silva

História da Imprensa de Campinas, de Julio Mariano( 1972, 134 páginas)

Em um mundo repleto de extra larges e megaempresas que anunciam suas fusões a cada dia, o significado da palavra "maior" se torna banal e transforma-se em sinônimo de "melhor", o que nos deixa iludidos no que diz respeito à verdadeira qualidade.
Nos veículos que utilizam materiais impressos, pouca coisa muda. Os jornais considerados "nacionais" são os mais tradicionais e, por conseqüência, mais lidos. Geralmente esses veículos têm a maior tiragem e maior parque gráfico. Mas será que somente eles merecem destaque na sociedade?

Para contrapor essas idéias, e mostrar que é possível obter qualidade sem muitos recursos, o autor Julio Mariano traz em História da Imprensa em Campinas, a trajetória dessa pequena imprensa. "À base do prelo, das caixas de tipos e compenedores manipulados por dedos ágeis", o autor conta como surgiu, o que foi e como é esse setor da história campineira. Suas lutas, suas glórias, as polêmicas, os homens que mais se destacaram e os criadores desse veículo.

Foi pelo ano de 1832, que Hércules Florence deu o chute inicial quando comprou uma tipografia. Após 26 anos da compra, Florence deu aos irmãos João e Francisco Teodoro de Siqueira a oportunidade de adquirir sua tipografia e criar o primeiro jornal em Campinas. A Aurora Campineira, no dia 4 de abril de 1858. Na madrugada da véspera do lançamento do jornal, ouvia-se o som do ferro velho que mais tarde seria chamado de "gemer dos prelos". Daí nascera a Aurora Campineira. Folha média, com 30 centímetros de comprimento por 20 de largura. Mas este foi só o primeiro e durou pouco.

Por ser famoso nos escândalos e no combate as causas sociais, em dois anos foi convertido em órgão oficial do Partido Conservador, exatamente no dia 10 de janeiro de 1960. A partir daí, passou a chamar-se O Conservador. Resistiu dez meses, e morreu.

Período negro e restauração

Os vários envolvimentos dos primeiros jornalistas com a justiça, dando a eles grande prejuízo, fez com que o povo acreditasse que a imprensa não era um bom negócio, muito menos para investir suas economias. O vazio da imprensa em Campinas prolongou-se por nove anos quase completos, quando alguns jovens destituídos criaram o bi-semanário Gazeta de Campinas. A partir daí, os campineiros voltaram às boas com os impressos e não pararam mais. Era um jornal após o outro.

Pouco tempo depois surgiu O Constitucional e Deus e Pátria, que era estritamente monarquista e católico. Entre outros criados por jovens idealistas se destacou o jornal A Mocidade, que acabou evoluindo para o conhecido Diário de Campinas.

Nem só de diários e gazetas vivia a imprensa campineira. Pasquins também deixaram um pouco da história da imprensa em suas páginas. Os mais famosos eram O Vigilante e o Pimenta.

Associação Campineira de Imprensa

O grande fluxo de impressos na virada do século XIX para o XX forçou os jornalistas a criarem um órgão em que pudessem trocar idéias e discutir assuntos atuais. Foi em dez de maio de 1927, numa tabacaria havanesa que surgiu a Associação Campineira de Imprensa. Após muita dificuldade e luta ao longo da história, a Associação Campineira de Imprensa se encontra perfeitamente consolidada como uma das mais influentes associações jornalísticas do Estado de São Paulo. 

Enfim, História da imprensa em Campinas é uma viagem no tempo que retrata as aventuras dos pioneiros e suas peripécias em uma cidadela que, na época, contavam com nove mil habitantes, para transformá-la em uma imprensa que hoje, já toma ares de gigante.