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A que ponto chegamos!

Juan Pereira

Nos anos 50 e 60 os programas de auditório que antes eram feitos no rádio, foram transferidos para a televisão. Na atualidade, eles estão segmentados em programas com grandes números de gincana e brincadeiras, quiz-whows, com perguntas e respostas premiadas sobre assuntos aleatórios. Ainda existem os programas com apelação erótica, discussões de temas polêmicos e escandalosos, denúncias melodramáticas, exibição e humilhação de deficientes físicos e mentais. Tudo em busca da audiência.

Alguns programas de auditório apostam em apresentações com demasiada esquisitice. Um exemplo, a dupla E.T. & Rodolfo lançada pelo apresentador Ratinho na TV Record. Esta insólita dupla virou mania infantil e até iniciou uma barulhenta carreira musical, gravando um disco com bobagens cabeludas. As músicas apresentavam piadas chulas e com duplo sentido, que segundo a psicóloga Zélia Maria M. Biasoli Alves, professora de Universidade de São Paulo (USP) “é um desrespeito à infância.” Ela afirma ainda que “depois os pais se espantam quando seus filhos dizem coisas estapafúrdias”.

A dupla participou do programa Domingo Legal, fazendo reportagens com temas sérios se tornarem “engraçadas”. Insatisfeitos em atazanar a vida de famosos no programa Domingo Legal, os “dublês” de repórteres E.T. e Rodolfo não tiraram da cabeça a idéia de protagonizar um programa humorístico nos moldes de Escolinha do Barulho, da Record. A dupla de inconvenientes queria convencer Augusto Liberato, dono da produtora GPM, a financiar um piloto do programa. Gugu justificou o sucesso da dupla lembrando que eles exploravam a antiga fórmula dos opostos, “como o Gordo e o Magro, no qual um sacaneava o outro, mas nunca se separaram”.

Rodolfo (Rodolfo de Almeida) e E.T. (Cláudio Chirinhan) ganharam um espaço no Domingo Legal com aparições bizarras e reportagem politicamente incorreta. Na briga por quem provocava mais baixaria valia até a nudez total, como fizeram numa praia de nudismo próxima a Salvador. Uma das façanhas desses dublês de repórteres foi acordar alguns artistas em seus quartos.

É possível concluir que há uma busca desesperada por audiência e, além disso, percebe-se a falta de ética na TV, sem contar o desrespeito com a população. Essas abomináveis programações sintetizam, melhor do que qualquer coisa, o nível de imbecilidade ao qual a televisão aberta no Brasil submete os seus espectadores. É um retrato da decadência mental coletiva das massas.