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Ratinho circo show

Iale Azevedo

Denúncias, problemas familiares, exibições de doenças graves, reencontro entre parentes que não se viam há anos, exames de DNA e uma turma de palhaços: Sombra, Azeitona, Caroço, Bola Sete, Xaropinho entre outros. Toda essa miscelânea se encontra em um só lugar: Programa do Ratinho .

No ar desde 1998 no SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), o Programa do Ratinho ficou famoso por ser em um auditório, mas com características do Aqui e Agora e Cidade Alerta , onde mostrava pessoas sendo decapitadas, baixarias e crimes... Mas logo Carlos Massa, o Ratinho, encontrou o erro: descobriu que para ter audiência, não precisava mostrar cenas sensacionalistas, então transformou seu programa em um “Grande Circo Show”!

Grande idéia! O telespectador gostou. Viu na telinha problemas comuns sendo discutidos. Pessoas que nunca iriam aparecer em outros programas “inteligentes” puderam dar ali sua opinião. Para muitos, o Ratinho virou o justiceiro. Aquela pessoa que ouve e resolve os problemas da população de baixa renda. Para outros, o palhaço chefe de um circo na TV. Um programa que em vez de utilizar o horário para a educação, utiliza para baixarias.

Mas não só de baixarias sobrevive o programa. O papel social do apresentador foi o centro da tese A Tela da Lei , do professor mineiro Vicente Riccio, apresentada em 2002 ao Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e no congresso científico norte-americano Filmand History Conference, no qual se discutiu “A legalidade da fronteira e o direito”. Nessa tese, Riccio declara que O papel social do Programa do Ratinho foi reconhecido até mesmo pelo grupo da área jurídica, que, apesar das críticas à forma do programa, considera válidos os resultados obtidos pelos necessitados que procuram a atração. Nada mal para um programa que é rotulado como sensacionalista.

O colunista do jornal O Estado de S. Paulo Marcelo Tas, afirma em uma entrevista concedida a Faculdade Cásper Líbero, que “considera a televisão burra e conservadora. Faz-se programas ruins, buscando audiência. Isso é totalmente furado ”. Logo mais, diz acreditar que “o público quer qualidade, e o que não tem conteúdo dura pouco tempo no ar” . Com essa afirmação podemos concluir que programas como o do Ratinho, que estão há oito anos no ar, são de qualidade? E a tão discutida ética? E o seu salário de mais de um milhão de reais por mês para ser o protagonista de um circo da vida real? E a educação?

É a população que diz o que quer ver em uma televisão, prova disso é a audiência. O que o Ratinho tem e de sobra! A classe pobre do Brasil não está interessada em discutir se o programa é ético ou não, se tem fundo educacional ou não, mas sim, em ver seus problemas resolvidos. O que não quer dizer que o programa é imperdível, ou que é de alto nível cultural.

Na verdade, atualmente é difícil assistir um programa de qualidade na TV. Aqui, a palavra “qualidade” está abrangendo a ética desprezada pelos telejornais, programas de auditório, reality shows, o alto salário de profissionais sérios que se deixam levar pelo dinheiro e se prestam a certos papéis. Infelizmente o conteúdo educacional, jogaram na lata do lixo.

Baseado na tese que existe sempre a possibilidade de melhorar a linguagem e a comunicação, em 2005, Silvio Santos dono do SBT, demitiu toda a equipe que trabalhava com o Ratinho, e neste ano quer torná-lo em um programa sério e jornalístico. Será que nesse novo formato, irá conseguir o mesmo índice de audiência que antes?