Diante do drama colombiano, veículos como o G1 noticiam os fatos e as dúvidas

Emanuely Miranda

O ano era 1964. Em terras tupiniquins, o golpe militar consolidava o início de uma ditadura. Seriam tempos atrozes para os brasileiros. De igual modo, os colombianos enfrentariam atrocidades porque as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estavam nascendo.

As Farc partem do princípio que os fins justificam os meios. Na teoria, o objetivo do grupo revolucionário soa muito mais nobre. O socialismo, a distribuição igualitária de renda, o fim da corrupção, entre outros aspectos parecem mais aprazíveis quando discursados. No entanto, a prática exercida pelas Farc para alcançar seus objetivos deixou um saldo negativo de 250 mil mortos e 33 mil sequestrados. Além disso, o grupo orientado por ideologias marxistas pareceu se desorientar diante do lucro oriundo do tráfico, atividade que financia a guerrilha. Fato é que esse conflito rasteja por mais de meio século e deixa rastro de sangue por onde passa.

Após 50 anos de muito sofrimento, um acordo de paz fomentado pela liderança das Farc e o governo do país latino foi apresentado.Para ficarem acordados, o Estado concordou com a possibilidade de conceder anistia aos guerrilheiros. Essa resolução foi alcançada após quatro anos de árduas negociações entre ambos os lados envolvidos no caso.

O segundo passo cabia à população. Os colombianos teriam que ir às urnas para dar o aval sobre o tratado proposto. A decisão mais sensata seria aceitar as condições. Nesse caso, a premissa de que os fins justificam os meios se aplicaria coerentemente. Valia a pena acatar os requisitos do acordo tendo em vista o ressurgimento da paz. O mundo todo esperava que a calejada população colombiana escolhesse o óbvio. Entretanto, no dia 2 de outubro de 2016, a população calejada se mostrou também vingativa.

O resultado foi apertado. Sufocante até, eu diria. 50,2% dos colombianos se posicionaram contra o acordo. Quase! Bateu na trave! O não proferido por pouco mais da metade das pessoas do país surpreendeu a todos e ecoou retumbantemente taxativo mundo afora. O “G1”, portal de notícias da rede de comunicação Globo, também se mostrou surpreso e permitiu que a resposta negativa reverberasse em sua página na internet.

Constantemente protagonizador de erros, o site de notícias conseguiu se abastecer com apuração satisfatória. “População colombiana rejeita acordo de paz com as Farc”, lê-se no título de uma das reportagens do “G1”. A ideia de rejeição sugere que algo bom foi dispensado. Na situação em questão, algo realmente positivo foi rejeitado. Estamos falando da interrupção de hostilidades.

Além disso, o grupo globo não é simpatizante do socialismo e, portanto, torceu para que a guerrilha acabasse visto que seu mote é a igualdade social. Independente de posições ideológicas, a rejeição colombiana não foi a opção mais saudável.

“Como é possível que um país recuse um acordo que colocaria fim a um conflito armado que se arrasta há mais de meio século e já custou as vidas de mais de 200 mil pessoas?”, esse questionamento é levantado em uma outra reportagem que busca entender o motivo do não.
Essa pergunta incomoda uma moça colombiana que fez parte dos 49,7%. Sua imagem foi divulgada pelo portal em questão. Através da fotografia, lemos tristeza em sua expressão. Seus olhos apertados denunciam a decepção. Ela ergue a mão à boca, claramente descontente com o resultado da votação.

A imagem dessa mulher retrata a cara do “G1” e, talvez, de boa parte do resto do mundo. A reação dos 50,2% é incompreensível para os demais que almejavam a trégua. Certamente, o povo colombiano está ressentido com as dores causadas pela guerrilha. As feridas ainda estão abertas. Mas quando serão fechadas? O algoritmo obtido nas urnas afasta ainda mais o processo de cicatrização.

Afinal de contas, o que os colombianos desejam? Paz não parece ser. Seria vingança ou justiça? Justiça ou insensatez? Nesse drama com muitas perguntas e poucas respostas, veículos como o “G1” continuarão noticiando os fatos e as dúvidas. Sem conclusões à vista, o futuro da Colômbia é uma incógnita.